Eu matei minha mãe [Xavier Dolan]

[Quem nunca odiou a própria mãe? Com essa premissa, "Eu matei minha mãe" transborda conflitos de um adolescente em erupção]


O filme que estreou em doze salas em Quebec e mais de sessenta na França foi amplamente aclamado por público e crítica em festivais pelo mundo. Inegavelmente, há virtudes no longa, que conta com uma bela edição do diretor, produtor, escritor e também ator Xavier Dolan, cujo personagem é semibibliográfico. Em Eu Matei Minha Mãe (J'ai tué ma mère, 2009), é fácil se identificar com o tema escolhido, afinal quem quem nunca explodiu de raiva da mãe pelo menos uma vez na vida?
Irritado com os constantes esquecimentos da mãe e com sua indiferença em relação a reclamações e pedidos, Hubert (Xavier Dolan) nutre um ódio crescente e pulsante, a ponto de declamar ante uma câmera sua raiva e angústia por ser seu filho. O jovem odeia sua simplicidade, seu apego a coisas fúteis como a televisão, seu gosto kistch, suas roupas bregas e até a forma como a "p***-que-o-pariu" come. No entanto, ela ainda é sua mãe, alguém que ele ama -- o que torna tudo mais confuso ainda. E é nessa relação de amor e ódio de filho para mãe que o adolescente se encontra imerso em conflitos, por ser homossexual e estar a fim de curtir novas experiências artísticas, sexuais e ilícitas.

Como supracitado a escolha do tema é interessante, embora o personagem principal seja um adolescente pedante, irritadiço e caricato demais. Enfim, nada muito distante da realidade. O que me levou a crer que seria melhor ser filho da mãe dele, do que ser mãe dele. Em todo caso, ainda assim é um filme interessante e que merece toda aclamação que obteve, especialmente pela pouca idade de Dolan.



J'AI TUÉ MA MÈRE
Xavier Dolan
Canadá, 2009
Avaliação: 4 estrelas

0 transações:

Postar um comentário