Well, alguns dias se passam e Dagny (Geirhardsdottir) termina o breve relacionamento com Páll, o filho de taxista. E, com isso, até que enfim o conhecemos de verdade, um cara mentalmente atormentado. A coisa fica feia, ele passa a ser violento com a família, vê Jesus Cristo, inventa de construir uma arca, enfim, pinta uma tela à la Pollock com tinta de loucura em casa. Daí, não teve jeito: mandaram Páll para o sanatório. E lá ele conheceu Oli (Kormákur), um doidinho que acreditava compor todas as músicas dos Beatles, e Viktor (Friðbjörnsson), que sometimes acreditava ser Hitler.
Páll aparentemente melhora, volta pra casa. Piora, volta para o hospício. Depois, possivelmente estável, sai novamente. Mas a verdade é que ele estava bem longe de estar bem, como se descobre no decorrer da ficção.
E o que fica? Bom, Páll não era desse mundo. Ele não era pra ser um cidadão qualquer, que segue o sistema, arruma um emprego, casa e constitui família. Não, Páll estava longe disso, ele era um artista que realmente acreditava em seu potencial como pintor, poeta, músico e contador de histórias esperando por seu reconhecimento mundo a fora. Queria estar ali entre Van Gogh e Gaugin, artistas tão egocêntricos quanto [vide a quantidade de auto-retratos dos dois].
E o mais notável de tudo é que ele se deu bem no hospital psiquiátrico. Talvez ali ele se sentisse superior aos outros como o artista esclarecido, por estar em um mundo à parte, onde a conceito convencional de sucesso não existia. Era um lugar onde se sentia livre e uma das cenas mais memoráveis é a em que ele, Oli e Viktor saem do hospício e acabam no restaurante mais caro da cidade sem dinheiro algum. Comeram e beberam do melhor e depois voltaram para "casa" de carona com a polícia. E nada aconteceu a eles. Não foram presos, não apanharam, não tiveram que lavar os pratos, afinal, eram loucos.
E essa diferenciação feita na sociedade do que é ou não ser alguém na vida, do que é ou não ser normal, enfim, do ser ou não ser, Páll comenta durante uma conversa com Viktor: "Somos todos iguais perante Deus, mesmo quando estamos doentes. Somos anjos. Anjos do universo".
Sigur Rós participou da trilha sonora do filme com duas músicas: "Bíum Bíum Bambaló" e "Dánarfregnir og Jarðarfarir" [se a Björk já é excêntrica cantando em inglês, imagina nessa língua].
ENGLAR ALHEIMSINS
Friðrik Þór Friðriksson
Islândia, 2000
Avaliação: 4 estrelas
+ http://www.imdb.com/title/tt0233651/




















