MOSTRA: Cinema Humanista - Irmãos Dardenne

No Centro Cultural Banco do Brasil de Brasília (DF) entre 10 e 29 de fevereiro com ingressos a preços populares

Intouchables: um filme francês surpreendentemente bom!

Tocante, engraçado, inteligente e pra toda família: um must see dirigido pela dupla Olivier Nakache e Eric Toledano

The rise and fall of Ayrton Senna

Um pouco do homem (generoso e família) e muito do piloto (obcecado e retardado), enfim, a fragilidade do mito

Anjos do universo chamado Islândia

Conheça a história de Páll (Ingvar Sigurðsson), um cara de outro planeta de trinta e poucos anos metido a artista genial que mora com os pais

Eu matei minha mãe

Afinal, quem nunca odiou a própria mãe? Com essa premissa, Xavier Dolan transborda conflitos de um aborrescente (emos ainda existem?) em erupção

Kynodonthas, um must see!

Imagine um lugar onde se é criança para sempre, do qual só se pode sair quando o dente canino cair e nascer de novo. A casa é grande, com piscina e longe da cidade. Pode parecer lindo, mas é absurdamente bizarro

Anjos do universo [Friðrik Þór Friðriksson]

Páll (Ingvar Sigurðsson) é um islandês de trinta e poucos anos metido a artista que mora com os pais. É o que se tem em mente nos momentos iniciais do filme, em que ele é querido pela família, contador de histórias para os irmãos menores e tem uma namorada riquinha, com quem passa horas conversando em tom de poesia, tipo: "o teu sangue está correndo pelas minhas veias; se eu pudesse encheria meu quarto com os teus beijos, trancaria-os lá dentro e jogaria fora a chave". Chega a ser patético e ele se acha um grande poeta à espera de ser descoberto.


Well, alguns dias se passam e Dagny (Geirhardsdottir) termina o breve relacionamento com Páll, o filho de taxista. E, com isso, até que enfim o conhecemos de verdade, um cara mentalmente atormentado. A coisa fica feia, ele passa a ser violento com a família, vê Jesus Cristo, inventa de construir uma arca, enfim, pinta uma tela à la Pollock com tinta de loucura em casa. Daí, não teve jeito: mandaram Páll para o sanatório. E lá ele conheceu Oli (Kormákur), um doidinho que acreditava compor todas as músicas dos Beatles, e Viktor (Friðbjörnsson), que sometimes acreditava ser Hitler.

Páll aparentemente melhora, volta pra casa. Piora, volta para o hospício. Depois, possivelmente estável, sai novamente. Mas a verdade é que ele estava bem longe de estar bem, como se descobre no decorrer da ficção.

E o que fica? Bom, Páll não era desse mundo. Ele não era pra ser um cidadão qualquer, que segue o sistema, arruma um emprego, casa e constitui família. Não, Páll estava longe disso, ele era um artista que realmente acreditava em seu potencial como pintor, poeta, músico e contador de histórias esperando por seu reconhecimento mundo a fora. Queria estar ali entre Van Gogh e Gaugin, artistas tão egocêntricos quanto [vide a quantidade de auto-retratos dos dois].


E o mais notável de tudo é que ele se deu bem no hospital psiquiátrico. Talvez ali ele se sentisse superior aos outros como o artista esclarecido, por estar em um mundo à parte, onde a conceito convencional de sucesso não existia. Era um lugar onde se sentia livre e uma das cenas mais memoráveis é a em que ele, Oli e Viktor saem do hospício e acabam no restaurante mais caro da cidade sem dinheiro algum. Comeram e beberam do melhor e depois voltaram para "casa" de carona com a polícia. E nada aconteceu a eles. Não foram presos, não apanharam, não tiveram que lavar os pratos, afinal, eram loucos.

E essa diferenciação feita na sociedade do que é ou não ser alguém na vida, do que é ou não ser normal, enfim, do ser ou não ser, Páll comenta durante uma conversa com Viktor: "Somos todos iguais perante Deus, mesmo quando estamos doentes. Somos anjos. Anjos do universo".


Sigur Rós participou da trilha sonora do filme com duas músicas: "Bíum Bíum Bambaló" e "Dánarfregnir og Jarðarfarir" [se a Björk já é excêntrica cantando em inglês, imagina nessa língua].

ENGLAR ALHEIMSINS
Friðrik Þór Friðriksson
Islândia, 2000
Avaliação: 4 estrelas

+ http://www.imdb.com/title/tt0233651/

Eu matei minha mãe [Xavier Dolan]

[Quem nunca odiou a própria mãe? Com essa premissa, "Eu matei minha mãe" transborda conflitos de um adolescente em erupção]


O filme que estreou em doze salas em Quebec e mais de sessenta na França foi amplamente aclamado por público e crítica em festivais pelo mundo. Inegavelmente, há virtudes no longa, que conta com uma bela edição do diretor, produtor, escritor e também ator Xavier Dolan, cujo personagem é semibibliográfico. Em Eu Matei Minha Mãe (J'ai tué ma mère, 2009), é fácil se identificar com o tema escolhido, afinal quem quem nunca explodiu de raiva da mãe pelo menos uma vez na vida?
Irritado com os constantes esquecimentos da mãe e com sua indiferença em relação a reclamações e pedidos, Hubert (Xavier Dolan) nutre um ódio crescente e pulsante, a ponto de declamar ante uma câmera sua raiva e angústia por ser seu filho. O jovem odeia sua simplicidade, seu apego a coisas fúteis como a televisão, seu gosto kistch, suas roupas bregas e até a forma como a "p***-que-o-pariu" come. No entanto, ela ainda é sua mãe, alguém que ele ama -- o que torna tudo mais confuso ainda. E é nessa relação de amor e ódio de filho para mãe que o adolescente se encontra imerso em conflitos, por ser homossexual e estar a fim de curtir novas experiências artísticas, sexuais e ilícitas.

Como supracitado a escolha do tema é interessante, embora o personagem principal seja um adolescente pedante, irritadiço e caricato demais. Enfim, nada muito distante da realidade. O que me levou a crer que seria melhor ser filho da mãe dele, do que ser mãe dele. Em todo caso, ainda assim é um filme interessante e que merece toda aclamação que obteve, especialmente pela pouca idade de Dolan.



J'AI TUÉ MA MÈRE
Xavier Dolan
Canadá, 2009
Avaliação: 4 estrelas

18º Festival Mix Brasil de Cinema da Diversidade Sexual

De 11 a 18 de novembro vai rolar em Sampa o 18º Festival Mix Brasil de Cinema da Diversidade Sexual. Conhecido por colocar nas telas filmes GLBT, neste ano teremos novidades mais picantes, com produções que exploram o tema de forma mais explícita, como com a programação Pornfilmfestival Berlin.

Curtiu? Veja mais aqui ó: http://www.mixbrasil.org.br/

E aproveitando a temática, aguardem: mais tarde vou colocar a resenha de um dos filmes mais legais que vi neste ano: Hedwig and the Angry Inch

[mostra] Coreia, cine explosivo | até 14/11


Dois dias de mostra já se passaram, mas vale tomar nota! Para quem interessar, apresenta um pequeno panorama do cinema contemporâneo da Coreia e seus principais autores e novos diretores, contando também com um pouco do que foi lançado comercialmente por aqui. O ciclo se divide em três partes, Coreia Box Office, Indie Coreia e Retrospectiva Chang-dong Lee, além de um rápido panorama dos principais diretores do novo cinema coreano, como Ki-Duk Kim, Chan-wook Park e Joon-ho Bong. Dos filmes em exibição, já vi Mr. Vingança e Oasis, que são mais que recomendados! Queria ver Primavera, verão, outono, inverno e... primavera.



5/11 - sexta

Primavera, verão, outono, inverno e... primavera
16h - Primavera, verão, outono, inverno e... primavera
[Bom Yeoreum Gaeul Gyeoul Geurigo, Coreia do Sul, 2003, 103min - 35mm] Direção: Ki-Duk Kim
Um jovem vive em um templo flutuante e recebe orientação de um monge. Cada estação do ano acaba representando um estágio da vida do jovem. Porém, a chegada de uma garota e a paixão entre ambos acabam desviando o pupilo dos conselhos de seu mestre.

http://www.imdb.com/title/tt0374546/




O hospedeiro
18h - O hospedeiro
[Gwoemul, Coreia do Sul, 2006, 119min - 35mm] Direção: Joon-ho Bong
A família de uma garota parte à sua procura depois que ela é raptada por um monstro.

http://www.imdb.com/title/tt0468492/




20h - Mr. Vingança
[Boksuneun naui geot, Coreia do Sul, 2002, 129min - DVD] Direção: Chan-wook Park
A irmã de Ryu, um trabalhador surdo-mudo, precisa de um transplante de rim. Ele é demitido e conhece traficantes de órgãos, mas não tem dinheiro para pagar a cirurgia. Sua namorada o convence a sequestrar a filha de seu ex-patrão, mas acaba acontecendo uma tragédia que gera vingança.

http://www.imdb.com/title/tt0310775/


___________________
7/11 - domingo


Casa vazia


16h - Casa Vazia
[Bin-jip, Coreia do Sul, 2004, 88min - 35mm] Direção: Ki-Duk Kim
Sun-Hwa é um jovem que costuma invadir casas quando os donos estão fora. Durante a invasão acaba limpando e fazendo pequenos consertos nas residências. Tudo muda quando ele entra numa mansão sem saber que a proprietária estava lá.

http://www.imdb.com/title/tt0423866/


18h - Primavera, verão, outono, inverno e... primavera


20h - O hospedeiro




_________________

9/11 - terça

16h - Casa Vazia

 Green Fish
18h -  Green Fish
[Chorok mulkogi, Coreia do Sul, 1997, 111min - DVD] Direção: Chang-dong Lee
Mak Dong é dispensado do exército e em seu caminho de volta para casa se envolve com uma mulher.

http://www.imdb.com/title/tt0126838/




Velho amigo

20h - Velho amigo
[Wonangsori, Coreia do Sul, 2008, cor, 78min - 35mm] Direção: Chung-Ryoul Lee
Um fazendeiro idoso vive seus últimos dias com sua esposa e um boi leal no interior da Coreia.
http://www.imdb.com/title/tt0364569/




____________
10/11 - quarta

16h - Sa-kwa
[Coreia do Sul, 2005, cor, 118min - 35mm] Direção: Yi-kwan Kang
O primeiro namorado de Hyun-jung a deixou. Ela, então, decide se casar com Sang-hoon. Entretanto, após o casamento, duas visões conflitantes de amor se colidem.
http://www.imdb.com/title/tt0478025/



18h - Grãos de areia
[Mang zhong, Coreia do Sul, 2005, cor, 109min - 35mm] Direção: Lu Zhang
História de Cui, uma jovem mãe coreana que vive na periferia de uma cidade chinesa. Com o marido na prisão e um filho para sustentar, ela vende kimchi para trabalhadores na beira de uma estrada.
http://www.imdb.com/title/tt0781421/



Oasis
20h - Oasis
[Coreia do Sul, 2002, 132min - DVD] Direção: Chang-dong Lee
Jong-du, um jovem recém-saído da prisão por homicídio, tenta entrar em contato com a família da vítima, mas eles não aceitam. Durante a visita, ele percebe que os familiares mantêm isolada uma jovem com paralisia cerebral e tentará se aproximar dela.
http://www.imdb.com/title/tt0320193/






__________________
11/11 - quinta

Peppermint Candy
16h - Peppermint Candy
[Bakha Satang, Coreia do Sul, 1999, 127min - DVD] Direção: Chang-dong Lee
O filme conta em flashback a história do suicida Kim Yong-ho e o que o levou a tomar essa decisão.

http://www.imdb.com/title/tt0247613/




18h15 - O grande chefe
Sik-gaek, Coreia do Sul, 2007, cor, 113min - 35mm] Direção: Yun-su Jeon
Uma jovem chef abandona a profissão depois que sua participação em um concurso de um restaurante famoso termina em tragédia. Mas uma competição culinária nacional lhe oferece a chance de assumir o cargo de um ex-rival e ela embarca em uma jornada que mudará para sempre sua visão do mundo.

http://www.imdb.com/title/tt1135972/


20h15 - Sol secreto
Milyang, Coreia do Sul, 2007, 142min - 35mm] Direção: Chang-dong Lee
Sin-ae muda-se com seu filho para a cidade natal de seu falecido marido. Enquanto ela tenta se estabelecer, outro acontecimento trágico muda sua vida.
http://www.imdb.com/title/tt0817225/

________________
12/11 - sexta

16h - O grande chefe


18h - Sakwa


Punhos que choram

20h - Punhos que choram
[Jumeogi Unda, Coreia do Sul, 2009, 103min - DVD] Direção: Ryoo Seung-wan
Dois homens fracassados têm a chance de se redimir por meio do esporte.




__________________
13/11 - sábado
16h - Grãos de areia


18h - Peppermint Candy


Sem fôlego

20h15 - Sem fôlego
[Ddongpari, Coreia do Sul, 2009, cor, 130min - 35mm] Direção: Yang Ik-Joon
O bandido Hong-Soon conhece a estudante Han Yeon-Heui, que finge ser de boa família, mas na verdade é vítima de seu pai e de seu irmão. Ambos têm problemas com o passado e com a violenta realidade do presente.
http://www.imdb.com/title/tt1373120/





____________________
14/11 - domingo

16h - Velho amigo

18h - Sem fôlego

20h15 - Sol secreto



SERVIÇO
Coreia, cine explosivo
Quando: 5 a 14 de novembro
Horário: a partir das 16h
Quanto: É NA FAIXA - chegue 1 hora antes para pegar o ingresso Onde: Centro Cultural São Paulo - Metrô Vergueiro
Mais: http://www.centrocultural.sp.gov.br/programacao_cinema.asp

Kynodontas [Giorgos Lanthimos]

"Mamãe, o que é uma xoxota?" "Onde você aprendeu essa palavra?" "Na caixa de um vídeo." "Uma xoxota é uma lâmpada grande. Exemplo: a xoxota apagou e o caminho ficou às escuras."

Imagine um lugar onde se é criança para sempre, do qual só se pode sair quando o dente canino cair e nascer de novo. A casa é grande, com piscina e longe da cidade. Pode parecer lindo, mas é absurdamente bizarro. Em Kynodontas [Dente Canino], um filho e duas filhas já na faixa dos vinte são mantidos entre os muros da propriedade, onde são criados alheios ao mundo externo, com uma educação peculiar: palavras são substituídas ao gosto da mãe, que as recria a esmo [vagina é teclado, mar é cadeira, zumbi é flor amarela, e por aí vai]. O dia a dia se passa por meio de jogos entre os irmãos, que mostra a competitividade incentivada pelo pai, o cabeça dessa bizarrice. No fundo, Lanthimos mostra crianças crescidas, cujas atitudes são desconcertantes e ganham proporções por vezes hilárias e macabras.

Pode até ser que o filme questione o autoritarismo com a desculpa de proteção. Mas eu vejo de outra forma: como uma expressão egoísta de um pai que é um zero a esquerda no trabalho e na sociedade. Que já está na faixa dos 50 e ainda é um simples pau mandado. Ele quer ser chefe, quer comandar, quer que o obedeçam. Então, cria seu mundinho particular, onde é o rei e do qual só ele tem permissão para sair.


E essa "paz" que reinou até que a casa foi contaminada pela mulher que deveria educar o filho sexualmente. A mesma era levada à casa vendada e acaba fazendo uma troca com uma das filhas: vídeos por lambidas em seu "teclado". Daí pra frente, a coisa desanda. E o filme lida até com tabus como o incesto. Mas no fim, não é que um deles consegue que o dente canino caia?

IMDB: http://www.imdb.com/title/tt1379182/
KYNODONTAS
Giorgio Lanthimos
Grécia, 2009
Avaliação: 5 estrelas

Submarino [Thomas Vinterberg]

É como um mergulho profundo na região abissal da alma humana, obscura e fria, onde depositamos os sentimentos mais miseráveis e as lembranças mais tenebrosas da nossa existência. Tentamos viver sem nunca ter de visitar o local, mas sempre tem quem viva imerso ali, encapsulado por um submarino. Alguns nunca retornam à superfície.

Nick e seu irmão mais novo tiveram uma infância miserável, descuidados por uma mãe alcoólatra. O início do filme mostra um curto período que representava o todo que os pequenos viviam. Até que um triste acontecimento marca a vida dos dois. E crê-se a partir daí terem seguido cada um seu caminho incerto.

Até que anos depois os dois se encontram no enterro da mãe e, de forma não linear, Vinterberg mostra como os dois estão. Nick vive em um abrigo, em seu mundinho particular cheio de inquietação e desesperança -- não faz nada muito além de musculação e tomar cerveja. Já o irmão mais novo tem um pequeno filho (o brilhante Martin) e um incontrolável vício em heroína. Acredita poder conciliar a droga e o passado com os cuidados de seu filho, mostrando-se, apesar dos pesares, um pai bastante amoroso, que quer dar ao filho tudo que não teve.

E no desenrolar dessa história arrebatadora, percebemos que quando fazemos nosso melhor não há porque sentir culpa pelos erros, somos o que somos, somos o que nos fizeram ser. É também uma lição de amor, por que não?

É realmente um filme fabuloso, onde todos os personagens têm um porquê de serem e que, apesar de mostrar a realidade crua e cruel, também arranca risadas, humor típico dos dinamarqueses.


IMDB: http://www.imdb.com/title/tt1322385/
SUBMARINO
Thomas Vinterberg
Dinamarca, 2010
Avaliação: 5 estrelas

A gênese

O cinema (ah, o cinema...) é vida! É um momento em que podemos nos desligar de nós mesmos, observarmos os infortúnios de outros, suas alegrias, seus erros e acertos, e aprendermos com a ficção (ou com a realidade). E aqui, eu vou priorizar filmes com conteúdo, que tenham algo que mereça ser refletido, afinal, não entrego meu corpinho pra qualquer filme. Mas quando for broxante, também vou descer a lenha.

E hoje, em nossa fabulosa estreia no Dia Mundial do Cinema, vou tentar transar o Submarino, do Vinterberg, no escurinho do cinema. Deus ajude que os ingressos não acabem!

Let's fuck it up!